Às vezes só precisamos desacelerar!

Hoje fiz o que muitos brasileiros dificilmente fazem, tirei um dia de folga em pleno começo de semana, isso mesmo, na segunda-feira. Resolvi fazer algo diferente, sair da rotina às vezes faz bem, então após muito pensar sobre como iria aproveitar esse dia maravilhoso, decidi fazer um pedaço do trajeto que faço a cada manhã – de casa para o metro –, só que dessa vez indo mais devagar e observando o que estava a minha volta.

Acordei cedo, estava uma manhã fria, perfeita para aqueles que gostam e podem dormir até tarde, ou seja, eu. Mas isso só me trouxe mais disposição, me vestir, dessa vez com uma roupa confortável – detesto aquele uniforme do trabalho –, peguei a maquina fotográfica e sair. Fui enfrentar o caos de uma segunda-feira nesta metrópole, São Paulo, só que dessa vez em câmara-lenta e registrando cada momento que eu achar-se importante.

O primeiro pedaço do meu destino era o metro, ao invés da correria que já era acostumada a fazer, fui calmamente, como se não tivesse um rumo certo – no fundo eu não sabia onde ia parar -, me vendo assim em meio aquela multidão de pessoas programadas, que cair entre nós parecem robôs obedecendo a comandos automáticos, me senti perdida, ou como minha avó diria “me senti como uma agulha no palheiro”. Mas vi algo que me chamou atenção, um garotinho pedindo um trocado para comprar algo para comer, não me lembro de ter o visto antes. De acordo com o que ele me disse, ele sempre esteve ali, não pude deixar de ajudar e ainda mais de fotografar.

Seguir meu rumo e me dei conta que pela rua onde eu sempre andei tem diversos minis restaurantes, um mais fofo que o outro, escolhi na mamãe mandou – recordando minha infância – e entrei em um que além de ter o melhor pãozinho de queijo da região, tem uma decoração antiga, ele é uma herança que veem se passando de família a família a décadas. Acho que vou sempre arrumar um tempinho para visitar a cada um e claro, voltar nesse. Tirei algumas fotos da decoração e fui adiante, entre ruas e mais ruas, conseguir chegar à pracinha, a mesma que eu sempre passava correndo por medo de perder o metro, parei e sentir um pouquinho do ar puro que ainda resta por aqui.

Por poucos segundos me sentir livre, livre de escolhas, livre da rotina, livre de mim mesma e foi maravilhoso isso. Nunca havia me dado conta do tanto de barraquinhas de bijuteria e brechós que tem ali naquela pracinha, não pude resistir e quando me dei conta gastei mais do que devia. Como nunca percebi que ali tem tudo que preciso e a um preço que cabe no meu bolso? Não demorou muito para perceber que o medo que eu tenho do tempo me fez ficar assim. Cega para as coisas simples e prazerosas que a vida nos oferece. Não me esqueci de registrar em imagens esses momentos e assim continuei minha trilha e após um pouco mais de caminhada lenta cheguei à metade do meu destino, o metro.

Peguei a condução para o mais próximo possível da praça do por do sol, claro que esse não é o mesmo caminho que pego para chegar ao meu trabalho, mas como disse no começo, só vou fazer um pedaço do trajeto que faço a cada manhã. Da minha casa até o metro. Até porque é raro eu tirar um dia de folga e mais raro ainda meu chefe me dar um dia de folga, então acho que mereço aproveitar um pouco.

E porque eu escolhi ir essa praça? Bom, hoje é perfeito para ir lá, não tem muita gente já que a grande maioria está trabalhando, o tempo está um pouco frio, o que significa que não vou ficar queimada do sol ou morrendo de calor e poder ter a chance de ver lá de cima a vista linda aqui de baixo faz até a gente recarregar o suficiente para poder enfrentar na manhã seguinte novamente a rotina.

Então é isso, já estou quase no meu destino final e nem sei como deu tempo de escrever este texto aqui no metro. No fim das contas posso dizer que aprendi algo, aprendi que é bom desacelerar um pouco de vez em quando para podermos nos dar contar do que ainda é viver.

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