Eu, o gato e a garota.

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Só eu e um gato. Durante a maior nevasca dos últimos 10 anos, só resta no apartamento e quem sabe no prédio todo, só eu e um gato. Ah, não que eu esteja reclamando, longe de mim fazer isso já que o Andrew ta me pagando 200 dólares por dia, mas ainda sim, não era o que eu esperava do meu fim de semana. Mesmo que eu tenha prometido ao meu professor de Literatura que iria cuidar do Snow ( nome pouco criativo para o  grande, preguiçoso e incrivelmente gordo bixinho de estimação do professor mais brilhante e legal da faculdade) eu ainda tinha planos pro fim de semana, sair com  o Robb e assistir o jogo, ler alguma comédia romântica pra acreditar pelo menos por algumas horas que existem finais felizes já que nesse primeiro semestre da faculdade só li tragédias (obrigado Shakespeare e Dostoievski!) e quem sabe tocar alguma musica triste e fingir que estou apaixonado. Ok, eu disse que tinha planos mas não disse que eles eram bons!

Já se passaram dois dias e a neve não mostra sinais de diminuir, ainda bem que a geladeira está abastecida e as estantes cheias de livros, que ótimo que sou babá de um gato com um dono apaixonado por literatura como eu. Sinceramente não sei o que gosto mais de fazer, ler ou tocar meu violão velho, mas no fim das contas não importa, se o jornal estiver certo vou ter tempo de sobra pra fazer os dois, já que a nevasca vai durar alguns dias e Andrew e sua esposa Natasha ainda não vão conseguir voltar.

……….

São 19:00 horas da noite de sábado, estou tomando um banho e escuto a porta, pego rápido uma toalha e vou até lá, no caminho acho estranho já que pensei que era o único aqui, chego a quase a sorrir com o azar desse cara e penso em alguma piada pra fazer, mas quando abro a porta todas as palavra travam.

– Oi, desculpe incomod… Estava tomando banho?

Uma garota! Uma pequena, ruiva e linda garota!

– Es… Estava sim! Eu congelo, ela é realmente baixinha, tipo 1,50, cabelos vermelhos, longos e ondulados caem nas suas costas, possui sardas nas pálpebras e olhos verdes enormes, e inexplicavelmente penso em olhos de corsa, e ela me olha com uma expressão curiosa então finalmente percebo que não estou vestido.

– Melhor voltar outra hora? Ela pergunta e percebo que suas bochechas ficaram coradas, mas mesmo assim ela não desvia o olhar.

– Não! tudo bem, pode entrar! Abro espaço pra ela e então ofereço o sofá.

– Bom… Indo direto ao ponto, Andy me pediu pra dar uma olhada e vê se estava cuidando direitinho do Snow.

– Aquela bola de pelos está ótima, mas alguém tem de leva-lo a uma academia.

Ela sorri e percebo as covinhas no seu rosto. 17,18 anos não mais que isso.

– Prefiro ele gordinho.

– Oh claro que sim! Não é você que vai ter um ataque cardíaco.

– Não mesmo. Ela mantém o sorriso por alguns segundos e depois muda sua expressão.

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Sobre relacionamento à distância.

A maioria das pessoas costumam ter uma visão ruim de um relacionamento à distância, muitas já tem uma opinião formada de que não dar certo. Não posso dizer que todos os relacionamentos assim dão certo, mas tem aqueles que conseguem enfrentar a distância. Utilizando a matemática tem 50% de chances de dar certo assim como tem 50% de chances de não dar certo. É igual a qualquer outro relacionamento, ou seja, tem dificuldades.

Uma das coisas mais ruins é saudade que um sente do outro, parece que ela nunca vai passar e as pessoas dizem que com o tempo isso ameniza, mas isso é uma mentira, quanto mais o tempo passa mais a saudade aumenta. Você vai sair com os amigos, ele não vai está lá. Você vai a uma festa, ele não vai está lá. Você vai tomar um sorvete, ele não vai está lá. Você vai assistir um filme, ele não vai está lá. Você olha o calendário e percebe que ainda faltam tantos dias até vocês se reencontrarem. Parece que o destino, o tempo, o cosmo estão rindo da sua cara. A saudade passa a ser uma tortura!

Dessa forma, com os km que os separam uma frase mal interpretada pode ser a causadora de uma grande briga e até levar ao término, nessas circunstâncias o diálogo se torna algo essencial. Não tem como manter um relacionamento onde apenas uma pessoa se esforça. Não se trata de um monólogo. Os dois lados tem que colaborar, até porque o diálogo é a única coisa que mantem vocês juntos em um relacionamento à distância. Por experiência própria essa é melhor parte e a que dura até vocês se reencontrarem. É no momento do conversar que você passa a conhecer aquela pessoa internamente. Seus pensamentos, emoções, desejos… É o melhor momento, ever!

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É natural que em algum momento a insegurança e os ciúmes comecem a aparecer. Ficam ainda mais visíveis quando a outra pessoa começa a criar uma nova vida, com novos amigos/as, com uma nova rotina… Pode ser egoismo, mas você para e pensa: Ele deveria está aqui comigo, mas não está. Brigas, brigas, brigas por causa de ciúmes. Não é falta de confiança na pessoa, e sim raiva de não poder estar perto como as outras.

Não se assuste essas coisas acontecem em um relacionamento, seja a distância ou não. Pode parecer difícil, mas não deixe que seu relacionamento caia na rotina, procure sempre fazer algo diferente. Não é tão limitado quanto parece. Marquem para assistir o mesmo filme ou leiam o mesmo livro e conversem sobre ele. Mande um presente que demonstre o quanto você sabe e se importa com ele. Na época mandei um livro para o meu namorado e ele me deu uma coruja de pelúcia, um cordão de coruja, entre outras coisas. Lembre-se: arrisque em algo diferente.

Sempre faça planos para o futuro, pode parecer um pouco cedo, pode ser que não dê certo, mas isso vai te dar forças para continuar. Não se pode começar um relacionamento já pensando no término. Tem que ter planos, o desejo de dividir uma casa com a pessoa que você ama, o casamento, os 17 filhos, as viagens que pretendem fazer juntos… Namoro à distância não é um quebra cabeças de 5.000 peças, mas é um relacionamento como outro qualquer, repleto de bons e maus momentos. É preciso o querer um do outro para dar certo.

Sobre ter você na minha vida.

Certo dia passeando por um parque me sentei em um banquinho distante de todos e fiquei a senti a brisa fria daquele inverno. Até que um senhor aproximou-se e sentou-se ao meu lado. Ele falou do tempo e de como gostava de dias como aquele, me contou sobre sua vida e me contou a sua história de amor, fiquei tão encantada que lhe contei a minha também. Que por sinal ele ficou muito interessado.

Ele então começou a falar: Na minha época amores assim tinham aos montes, porém hoje em dia as pessoas se esqueceram de esperar, de provar que existem sentimentos que superam tudo, inclusive à distância. É difícil encontrar um relacionamento como o seu ainda mais com o companheirismo de vocês.

Fiquei feliz em ver como ele gostou do nosso relacionamento, mas não esperava aquela pergunta que veio em seguida: “Por que você gosta dele?” Mais uma vez eu iria usar aquela resposta que sempre uso: “Ah, apenas gosto dele. Não consigo explicar.” Porém não consegui pronuncia-la. Aquela resposta não era o suficiente. Da minha boca saíram outras palavras.

“Ele faz meus dias mais felizes, mesmo com essa distância horrível nos separando, em cada telefonema ele consegue me deixar ainda mais apaixonada. Quando a gente resolveu continuar namorando eu senti medo, muito medo, e alguns meses atrás fiquei com dúvidas se isso realmente iria dar certo ou se deveríamos mesmo levar esse relacionamento adiante. Mas em uma noite qualquer lendo alguns textos que ele escreveu pra mim percebi que cometeria um erro terrível se terminasse com ele. Acho que naquele momento percebi o quanto ele é importante na minha vida…”.

Parei e fiquei observando os casais que estavam ali, acabei me perdendo dentro dos meus devaneios, até que o senhor que estava ao meu lado começou a rir de mim. “Você não sabe o quanto fica engraçada quando pensa nele.” Ele disse. Apenas sorri, até queria perguntar como ele sabia que era em você que eu estava pensando, mas isso não é tão difícil de descobrir. Ultimamente passo a maior parte do meu tempo imaginando o dia em que vou poder senti seu cheiro, o calor do seu corpo diante do meu, os seus lábios novamente.

“Sabe, todas as vezes que digo ter um namorado perfeito ele discorda, prefere ser chamado de ‘namorado incrível’. Mas aqui entre a gente, ele é o namorado perfeito. Ele é o tipo de cara que só existe nos livros da minha estante. O mesmo que eu achava que só existia em meus pensamentos. Eu sou pateticamente apaixonada por ele.” Ele ficou me olhando até que resolveu se pronunciar.

“É difícil você falar sobre os seus sentimentos pra ele?” Apenas assenti com a cabeça. “É ainda mais difícil você tentar me explicar isso?” “Não, mas…” Ele me interrompeu. “Mas você mesmo assim não consegue encontrar palavras para me explicar seus sentimentos, e a única certeza que tem é que está apaixonada por ele.” Fiquei assustada quando escutei aquelas palavras era exatamente o que eu ia dizer a ele. “Não fique assim. Apenas já vi essa história antes, alguns anos atrás e se quiser posso lhe contar como termina.” A minha mente estava conturbada, não queria escutar o final da tal história, só queria sair dali. “Desculpe, mas preciso ir. Foi um prazer conhece-lo” Eu disse, e ele sorriu. Me levantei e saí andando. Mas antes de me distanciar ele me gritou. Virei e fiquei olhando-o. “Talvez o que você sinta por ele seja bem maior…” Ele disse. Apenas assenti e continuei andando.

“Talvez ele esteja certo.” Dizia isso baixinho para mim mesma. “Talvez não seja apenas paixão, talvez isso seja amor. Dizem que o amor é o único sentimento que não podemos explicar, apenas senti.” Acabei me perdendo dentro dos meus pensamentos. Continuei andando, quem sabe quando chegar a minha casa ao invés de talvez’s eu já tenha uma certeza…

“Eu o amo…”

Anna e Fernando

Percebi que o dia não ia ser bom logo que meu despertador tocou as 04:00 da matina, queria voltar a dormir, mas minha mãe me mataria se não fosse para a liquidação que está tendo lá no mercadão. Não faço a menor ideia de como mamãe ficou sabendo disso, mas ontem me ligou desesperada falando sobre como as coisas iam estar baratas e que ela queria muito umas fronhas, panelas, bijux, e uma serie de outras coisas. Tive que fazer uma listinha pra lembrar de tudo. Até disse que já tinha depositado o dinheiro na minha conta. Apenas falei que comprava as coisas e levava tudo pra lá no mês que vem.

E isso resume o porque de está acordando a essa hora. Até que sou acostumada a acordar cedo ou dormir praticamente nesse horário, porém se acorda assim em uma manhã fria de inverno não é bom. Como não tenho chuveiro elétrico tive que correr contra o tempo pra esquentar uma panela de água pra mim e acabei queimando meus dedos. Depois percebi que não tinha luz, com a lanterna do celular vesti a primeira roupa que me veio a cabeça (um moletom azul do tempo que ainda morava com meus pais, uma calça antiga e meus sapatos). Quando olhei no relógio só faltavam 30 minutos para o mercadão abrir, mal peguei minha mochila com o dinheiro e saí correndo o pior é que ainda tinha que descer cinco lances de escadas já que meu condomínio não tem elevador.

Cheguei ainda faltando 5 minutos pra abrir, deveria ter chegado um pouco mais cedo, mas meu fusca demorou uma eternidade pra pegar (ultimamente ele tem passado mais tempo na oficina do que comigo). Para a minha surpresa ainda não tinha quase ninguém, parece que o pessoal entende que o sono é sempre melhor. Fui praticamente a primeira a entrar e só então percebi que as pessoas estavam me olhando diferente aí me dei conta que ainda estava com uma toca velha no cabelo (não me dei tempo de olhar no espelho ao sair de casa), fiquei corada de tanta vergonha, fui para um cantinho do mercado tirei aquilo e deixei o cabelo solto mesmo, não poderia ficar pior.

Procurei por tudo que daquela lista, realmente estavam a um preço super em conta, mas não estava totalmente no clima de compras. Após quase duas horas indo no terceiro andar, voltando pro primeiro, indo pagar no segundo, acabei completando a listinha. Até que acabei avistando um sebo. Fui lá, e não apenas me deparei com uma atendente super simpática como tinha diversas coisas legais além de livros lá. Entre uma prateleira e outra achei uns livros que estava procurando a tempos, alguns que meus antigos professores me indicaram e outros que já tinha lido resenhas maravilhosas. Estava tão encantada com tudo que acabei puxando um livro e derrubando todos os outros que estavam em cima desse na minha cabeça, tentei me equilibrar e foi uma tentativa meio falha acabei caindo. Será que não poderia ser menos desastrada? Continuar lendo

Então queres ser um escritor?

se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.

não há outra alternativa.
e nunca houve.

 (Charles Bukowski.)

Nós somos…

Nós somos segredos;
Nós somos a brisa fria de uma manhã de sábado;
Nós somos a onda que banha a areia da praia;
Nós somos as nuvens carregadas de chuva que esperam o momento certo de despejar;
Nós somos as folhas que o vento do outono leva sem percurso;
Nós somos as estrelas que brilham no céu;
Nós somos aquela música clichê que toca na rádio;
Nós somos as cordas de um violão;
Nós somos o sorriso de um casal apaixonado;
Nós somos a rosa azul que nasce em um terreno baldio;
Nós somos uma lembrança boa;
Nós somos as velinhas que ficam em cima de um bolo de aniversário;
Nós somos a roupa que espera secar no varal;
Nós somos os olhos de uma coruja no escuro;
Nós somos como Orfeu e Eurídice.

“Até a eternidade, se possível!”

Já se passou um ano que você se foi, parece que foi ontem que tudo aconteceu, porque a dor que eu sinto aqui dentro ainda está tão viva quanto à do dia que lhe perdi. Mas eu não vim aqui parar falar sobre isso, pelo menos não agora. Eu quero falar sobre coisas boas, como os primeiros passinhos do Fernando, eu filmei tudo e vou guardar para mostrar para ele quando completar os 18 anos como a gente havia combinado. Eu sei que onde você estiver deve ter visto, e ficado tão feliz quanto eu. Ele está a cada dia mais parecido com você, e acredita que a primeira palavra que ele disse foi papa. Não duvido nada você ter visto e ficado rindo da minha cara de assustada. Esse momento foi emocionante, queria que você estive-se aqui.. Desculpa, não estou conseguindo conter minhas lágrimas.. Sabe, já estou começando a escrever o livro que tanto queria e estou escrevendo sobre a gente, sobre a nossa história. Não se preocupe, não vai ser mais um daqueles livros tristes que a cada página faz o leitor derramar centenas de lágrimas, o nosso é uma comédia pra lá de muito romântica. E vou dedica-lo exclusivamente a você amor, a pessoa que mais acreditou em mim e que me deu forças para sempre buscar pelos meus objetivos. Obrigada, muitíssimo obrigada!

Antes que eu esqueça trouxe essas flores para você, rosas brancas, quem ver não acredita que elas são do nosso jardim, no fim das contas o dinheiro que a gente gastou nele não foi em vão. É, eu sei que elas são lindas. Elas são um pedacinho da nossa história, lembro-me de quando você me deu aquele saquinho em um dos nossos encontros e você disse que dentro dele tinha uma vida e que ela precisava da gente para sobreviver, quando abrir lá tinha uma semente, como você mesmo disse, “Uma semente de rosa branca é vista por muitos como um símbolo de paz, mas para mim ela simboliza união.. E desde o dia em que lhe salvei daquele temporal sei que você é a mulher que eu quero compartilhar o resto dos meus dias, a eternidade se possível!”.

– Meu amor você aceita essa semente?

– Você é um louco.. Mas é o louco que eu quero ao meu lado por trilhões e trilhões de anos.. Claro que eu aceito amor!

E assim você me puxou para os seus braços e me deu um abraço daqueles que nos fazem esquecer tudo.

Eu amo você – você sussurrou no meu ouvido e em seguida me beijou. Eu me senti a pessoa mais feliz do mundo. Mesmo com meu nervosismo enorme, e as palavras não saindo muito bem, criei coragem e falei tudo o que eu queria falar a meses para você.

Eu.. Eu te.. Eu te amo! – Nossos olhares se encontraram, você passou a sua mão lentamente pela minha face e sorriu. Parecia que você já sabia, sempre soube. Você em segundos me beijou, um beijo calmo e intenso.

Como é bom relembrar aquele dia. É bom relembrar todos os dias que tive a sorte de passar ao seu lado. Deus não deveria ter te levado assim tão depressa, nós queríamos ter tido mais tempo com você. Você precisava de mais tempo aqui conosco. Eu sei que você está sempre ao nosso lado presente espiritualmente e está vivo em nossos corações. Mas nesses últimos 365 dias eu ainda não consigo acreditar que lhe perdi. Tem dias que eu acordo na esperança que tudo isso tenha sido um sonho, e com a expectativa de lhe ver ali deitado do meu lado, mas acabo voltando rápido demais para a realidade. O pior momento é quando o telefone tocar exatamente as 17:00hrs, eu sempre penso que é você me ligando e corro pra atender, e as vezes antes de alguém falar algo, eu digo: Amor estou morrendo de saudades, que horas você vai voltar? – Era assim que a gente se comunicava, esse é o nosso horário. Mas aí eu lembro que você se foi e a pessoa que está do outro lado da linha não é você, e tudo que me resta é desligar o telefone e chorar, chorar pedindo a Deus para te trazer de volta. Mesmo sabendo que isso é impossível. Continuar lendo

Ela é perfeita, mas não sabe!

Olá, só estou dando uma passadinha rápida para mostrar essa crônica que é do escritor Hugo Rodrigues, acabei lendo ele através de uma publicação do blog Avesso da Coisa, e gostei tanto que não poderia deixar de mostrar para vocês.

“Geralmente, eu chego em casa cansado. Jogo minhas roupas pelo chão do quarto e sento no sofá com aquela cara de acabado. Ela chega, me grita atenção e fala como uma doida de como foi seu dia. Eu fico entre um “uhum” e outro. Entre uma risada e outra. Mas fico com olhos e ouvidos bem atentos, como um menininho ouvindo uma história de uma heroína que salvou a cidade e ainda lembrou de passar no mercado para comprar meu iogurte predileto.

Ela me faz massagens quando eu peço. Mas só aceita fazer caso eu prometa fazer nela também. Ela trabalha, estuda, inova em seu visual, malha, prepara a comida e ainda arruma tempo para me amar e me pedir para levá-la ao cinema. Às vezes, eu penso como é louco o amor. No começo, eu passava noites em claro só para descobrir a melhor forma de conseguir ter um encontro com ela. E, hoje, ela é quem me convida. No primeiro encontro, eu passei quase duas horas inteiras me arrumando. Coloquei minha melhor roupa e me encharquei com meu melhor perfume só para agradá-la. Hoje, ele me acha lindo de moletom ou suado após o futebol.

Ela me espera. Ela fica ansiosa para me ver e me liga só para dizer que está com saudades. Ela diz que ama e que morre de tesão por mim. Ela me faz carinhos e arranhões que nunca tive e me beija o corpo inteiro. Quando briga comigo por ciúmes é por medo de me perder.

Ela é perfeita, mas não sabe.

O meu lado possessivo até acha isso bom porque no dia que ela perceber que ela é dez mil vezes melhor do que qualquer mulher nesse mundo, vai querer outro cara dez mil vezes melhor do que eu.

E há vários caras perfeitos por aí.

Mas não sei como, ela se encantou por minha barba mal feita, por minhas piadas sem graça e por meus olhos cansados.

Bendita a sorte a minha.

Até hoje, não sei o que falei para ter roubado a atenção dela. E, se um dia descobrir, falarei o dia inteiro. Trato-a como uma rainha tendo a certeza de que não sou merecedor de um lugar em teu altar. Mas me esforço tanto que ela acha graça até das minhas imperfeições.

Você já parou para pensar na sorte que tem em ser o sonho da mulher dos seus sonhos?”

Apenas mais uma história de amor…

Todo novo dia é especial quando temos alguém importante ao nosso lado. Ainda mais quando sabemos que o sentimento que damos é recíproco. Nada melhor do que amar e ser amado.

Tudo que é novo, a principio, é assustador. O nosso relacionamento não foi diferente, eram tantas perguntas, incertezas, só buscávamos uma única resposta, se iria dar certo. Mas bem antes disso só haviam sorrisos, alias tudo iniciou de uma brincadeira. Melhores amigos, namorados de mentira, namorados de verdade. Temos uma longa trajetória. Me lembro como se fosse hoje nós sentados no banquinho que tem na frente da minha casa, e em meio a tantos assuntos você deu a ideia de sermos namorados de mentira. Achei aquilo engraçado e concordei. Criamos uma peça e deveríamos ganhar prêmios já que fomos tão bons atores que enganamos até aqueles que já sabiam que o namoro era falso. Era para durar uma semana e já estamos juntos há 230 dias.

Um acidente, algumas palavras e um beijo fora do roteiro mudou todo o percurso da história. Melhorou a história. Mas não estávamos esperando um empurrãozinho do destino – sim, eu continuo achando que foi destino. Tínhamos que tomar uma decisão e tudo que nos restava era conversar. Creio que aquele nosso dialogo foi o mais complicado, cheio de sentimentos conturbados, o medo de colocamos tudo a perder, as diferenças que tínhamos, não era fácil nos imaginamos juntos, mas mesmo assim arriscamos. Apenas tendo a certeza que tudo dependia e depende da gente.

Eu sabia que você ia embora e que só me restava menos de 3 meses ao seu lado. Nesse período fiz de tudo o que estava ao meu alcance para aproveitar o tempo com você e conforme a data ia se aproximando o meu coração ficava mais apertado. Tinha um medo enorme de te perder, de me apaixonar e não conseguir te esquecer. Quando faltava menos de uma semana para sua viagem ficar ao seu lado já estava se tornando insuportável, pensar que em poucos dias não teria mais você aqui, isso estava me enlouquecendo. Não estava sabendo lidar com aquela situação. Foi aí que descobri que já estava apegada a você.

Só tínhamos mais 48 horas, era a nossa última noite a sois, eu fui para a sua casa, nossos planos era assistir a um filme infantil, mas diante de tão pouco tempo que nos restava resolvemos aproveitar. No meio de beijos, mordidas, brigas, abraços, você disse que estava apaixonado por mim. Tentei esconder, mas neste momento dentro de mim estava tendo um tsunami, queria cair no choro e pedir para você ficar. Porém tudo o que fiz foi sorrir. Eu estava feliz. Quando menos percebi já haviam saído da minha boca a frase “também estou apaixonada por você”.

Quando chegou a hora da despedida achei que não aguentaria, um filme se passava na minha cabeça, cada sorriso, discussão, brincadeira… Nós ali no mesmo lugar onde tudo tinha iniciado. Não consegui conter minhas lagrimas. Mas tudo mudou quando perguntei o que aconteceria com a gente. Após alguns minutos conversando chegamos a conclusão que deveríamos continuar o relacionamento, e descobrir até onde esse sentimento irá nós levar.

E aqui estamos, sobrevivendo a essa distância. Tem dias que são fáceis, alguns outros difíceis. Há aqueles que tudo que queremos é está próximos um do outro. Assim estamos construindo nosso relacionamento.

A saudade é enorme. Aliás sinto saudades de muitas coisas. Saudades dos seus abraços, das nossas guerras de polegares, de poder te morder, de assistir filmes agarradinha com você (tentar assistir), da nossa brincadeira de abrir e fechar as mãos, do seu sorriso safado, do seu olhar psicopático, dos desenhos que fazíamos juntos… SINTO SAUDADES DE VOCÊ! E a cada dia que passa minha felicidade aumenta, só por saber que é um dia a menos no nosso calendário.

Texto escrito no dia 14/06/2014 para o meu amor ❤

Crônica: A mais linda mulher da cidade – Charles Bukowski

tumblr_m7wt5qPLha1rb1riso1_500Nos últimos meses várias pessoas que conheci me falaram deste escritor, Charlie Bukowski. Uns dizem que ele é um dos melhores escritores que existe, outros dizem que como curso Psicologia ainda vou ouvir muito falar dele. Até me aconselharam a ler alguns dos livros que o consagraram como escritor. Faz quase umas duas semanas que estou lendo GO (em breve faço uma resenha dele aqui). Em alguns momentos o personagem principal fala sobre o Bukowski, e recita alguns poemas ou indica algum livro dele. Ontem (21/11/14) li uma parte que ele falava sobre essa crônica, A mais linda mulher da cidade. Achei interessante e resolvi procurar para ler. Descobri que essa crônica faz parte de um livro chamado Crônica de um amor louco do velho Buk.

A única certeza que tenho agora é que preciso ler algum livro desse escritor, depois dessa crônica com certeza ele está na minha lista de escritores favoritos (e não, não é exagero). Essa crônica é um pouco grande e deixou o post enorme, mas vale a pena ler.

Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.

As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.

O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.

Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.

— Quer um drinque? — perguntei.

— Claro, por que não?

Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.

— Me acha bonita? — perguntou.

— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…

— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?

— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.

Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.

Ela me olhou e riu. Continuar lendo