Anna e Fernando

Percebi que o dia não ia ser bom logo que meu despertador tocou as 04:00 da matina, queria voltar a dormir, mas minha mãe me mataria se não fosse para a liquidação que está tendo lá no mercadão. Não faço a menor ideia de como mamãe ficou sabendo disso, mas ontem me ligou desesperada falando sobre como as coisas iam estar baratas e que ela queria muito umas fronhas, panelas, bijux, e uma serie de outras coisas. Tive que fazer uma listinha pra lembrar de tudo. Até disse que já tinha depositado o dinheiro na minha conta. Apenas falei que comprava as coisas e levava tudo pra lá no mês que vem.

E isso resume o porque de está acordando a essa hora. Até que sou acostumada a acordar cedo ou dormir praticamente nesse horário, porém se acorda assim em uma manhã fria de inverno não é bom. Como não tenho chuveiro elétrico tive que correr contra o tempo pra esquentar uma panela de água pra mim e acabei queimando meus dedos. Depois percebi que não tinha luz, com a lanterna do celular vesti a primeira roupa que me veio a cabeça (um moletom azul do tempo que ainda morava com meus pais, uma calça antiga e meus sapatos). Quando olhei no relógio só faltavam 30 minutos para o mercadão abrir, mal peguei minha mochila com o dinheiro e saí correndo o pior é que ainda tinha que descer cinco lances de escadas já que meu condomínio não tem elevador.

Cheguei ainda faltando 5 minutos pra abrir, deveria ter chegado um pouco mais cedo, mas meu fusca demorou uma eternidade pra pegar (ultimamente ele tem passado mais tempo na oficina do que comigo). Para a minha surpresa ainda não tinha quase ninguém, parece que o pessoal entende que o sono é sempre melhor. Fui praticamente a primeira a entrar e só então percebi que as pessoas estavam me olhando diferente aí me dei conta que ainda estava com uma toca velha no cabelo (não me dei tempo de olhar no espelho ao sair de casa), fiquei corada de tanta vergonha, fui para um cantinho do mercado tirei aquilo e deixei o cabelo solto mesmo, não poderia ficar pior.

Procurei por tudo que daquela lista, realmente estavam a um preço super em conta, mas não estava totalmente no clima de compras. Após quase duas horas indo no terceiro andar, voltando pro primeiro, indo pagar no segundo, acabei completando a listinha. Até que acabei avistando um sebo. Fui lá, e não apenas me deparei com uma atendente super simpática como tinha diversas coisas legais além de livros lá. Entre uma prateleira e outra achei uns livros que estava procurando a tempos, alguns que meus antigos professores me indicaram e outros que já tinha lido resenhas maravilhosas. Estava tão encantada com tudo que acabei puxando um livro e derrubando todos os outros que estavam em cima desse na minha cabeça, tentei me equilibrar e foi uma tentativa meio falha acabei caindo. Será que não poderia ser menos desastrada? Continuar lendo “Anna e Fernando”

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Ela e Ele <3

Ela fazia planos para o futuro. Ele só queria que o futuro o surpreende-se. Ela ia todas as tardes para a biblioteca e se trancafiava no meio dos livros. Ele só ia quando a mãe o obrigava, suas tardes eram resumidas em jogar vídeo game e ouvir o bom e velho Rock’roll. Enquanto ela estudava para os assuntos que poderiam cair no vestibular. Ele ainda estava tentando decorar a fórmula de bhaskara. Ela tentava fazer amigos, mas as pessoas pareciam não gostar da companhia dela. Com o seu jeito engraçado ele conseguia facilmente se enturmar. Ela colecionava momentos. Ele só gostava de vivê-los. Ela queria um dia viver uma história amor. Ele dizia que o amor não existia. Eles eram diferentes, mas como seria se um dia o destino os colocasse frente-a-frente?

Ele só não queria ir para o colégio naquele dia. Ela por conta da rotina corrida se esqueceu de fazer o trabalho de história. Ele arrumou uma desculpa e disse para a mãe que não poderia ir para aula porque teria que ir à biblioteca fazer um trabalho. Ela saiu cedo como de costume, mas ao invés de ir para o colégio, se direcionou a biblioteca para dar inicio à sua tarefa. Ele dizia que qualquer lugar seria melhor que o colégio, assim pegou sua mochila, seu mp3 e saiu andando. Ela já tinha começado a sua obrigação, quando ele apareceu na porta. Depois de tanto andar pelos quarteirões, ele decidiu que só precisava de um lugar tranquilo. Ela tímida mal conseguia levantar a cabeça para olha-lo. Ele percebendo isso sorriu e se sentou na ultima mesa, ali ele poderia observar tudo, principalmente ela. Ela tentou não se distrair com a presença dele e continuou seu trabalho. Ele pegou seus fones e ligou o mp3 no volume máximo, deixou no modo aleatório, ajeitou sua bolsa a fazendo de travesseiro e dormiu. Ela precisava de mais livros, mas a sessão de história geral estava próxima dele. Ela se levantou e foi até lá. Ela não sabia explicar por que estava tão nervosa, ficava brigava consigo mesma em pensamentos. Por ser um pouco desastrada acabou deixando cair dois livros, o barulho o fez despertar. Ele tirou os fones, percebeu o que tinha acontecido, olhou para ela e sorriu. Ela ficou vermelha igual pimenta. Ele pegou os livros e ainda sorrindo entregou a ela. Ela mal conseguiu pronunciar um obrigado. Ele voltou a ouvir música e começou a procurar algo dentro de sua mochila. Ela continuou procurando o livro. Ele desistiu de procurar algo que ele mesmo não sabia o que era e se virou a ela perguntando se precisava de ajuda. Ela respirou fundo e disse que não, que já havia encontrado, mas o agradeceu mesmo assim, pegou o primeiro livro que viu e saiu em direção a sua mesa. Ele queria voltar a escutar suas músicas, mas algo maior – que nem ele mesmo sabe explicar – o fez levantar e ir até onde ela estava, sentando na sua frente. Ela pegou um susto quando o viu ali. Ele sorriu. Ela gostava daquele sorriso e o retribuiu. Ela logo voltou para si e perguntou o que ele queria. Ele disse que gostaria de conversar. Ela achou aquilo estranho, mas fez um sinal que sim com a cabeça, como se o mandasse começar a conversa. Ele falou sobre ele não querer ir hoje para a escola. Ela disse que havia se esquecido pela primeira vez de entregar um trabalho. Ele falou que praticamente não estudava, só com a explicação dos professores ele conseguia tirar ótimas notas nas provas, menos em matemática. Ela o achava interessante. Ele gostava da companhia dela. Ela contou sobre a sua dificuldade de fazer amigos. Ele disse que ela era incrível, e quem não notava isso não merecia a amizade dela. Ela já não estava mais com vergonha ou nervosa. Ele compartilhava momentos com ela. Ela contava coisas que ninguém mais sabia sobre ela. Ele a ouvia. Ela o ouvia. Ele a ajudou com seu trabalho de história e mesmo percebendo que ela havia pegado um livro totalmente fora do assunto a ser abordado, ele não disse nada, apenas sorriu. Ela sabia que ele tinha percebido sobre o livro, mas ficou contente por ele não ter comentado nada. Ele falou que amava jogos eletrônicos. Ela falou sobre sua rotina e de como não havia tempo para essas coisas. Ele apenas queria que ela não se privasse tanto dos pequenos prazeres que a vida oferecia. Ela falou que era feliz daquele jeito. Ele sorriu e em meio a troca de olhares a fez perceber que ele gostava dela do jeito que é. Ela não queria que aquele momento acabasse. Ele não queria se despedi dela. Mas ambos sabiam que já estava praticamente na hora de ir embora. Ela já estava prestes a se despedir. Ele tomou uma atitude e a convidou para sair. Ela aceitou… Dias depois eles se encontraram na frente da biblioteca. Ele resolveu chegar mais cedo para não a fazer esperar. Ela já estava lá quando ele chegou. Ele sorriu. Ela sorriu. Ele a elogiou. Ela ficou vermelha e novamente mal conseguiu dizer um obrigado. Ele sorrindo disse que aquele dia ia ser perfeito. Ela perguntou para onde eles iam. Ele explicou que era uma surpresa, mas que ela deveria ficar tranquila que ele já havia programado tudo. Ela tirou ideia sobre ele ter feito um plano. Ele a levou para assistir um filme. Ela ficou encantada com cinema, era sua primeira vez dentro de um. Ele se sentia feliz em fazê-la se sentir feliz. Eles assistiram uma comédia romântica, “Um plano do destino”. Ela dizia baixinho para ele que o destino tem um plano para cada pessoa. Ele ria e tentava explicar para ela que o destino não existia. E nessa discussão ficaram até as letrinhas subirem e eles perceberem que o filme havia acabado. No fim das contas eles saíram dali abraçados e um compreendendo o que o outro pensava. Ela dizia que um dia iria provar para ele que o destino existe. Ele a chamava de louca. Eles seguiram rumo a uma casa de jogos eletrônicos. Ela quando viu logo sorriu e de tão empolgada que estava o beijou no rosto. Ele sentiu seu coração acelerar. Ela já sabia no fundo que estava começando a se apaixonar por ele. Ele sentia algo que ainda não sabia como chamar. Ela dizia que ia perder todos os jogos. Ele dizia que ela ia ganhar se ela fosse boa, mas ele não ia entregar nenhum jogo de bandeja. Ela achava aquilo justo. Eles sorriram, se divertiram.. Ela ganhou praticamente em todos os jogos. Ele a deixou ganhar. Ela sabia, mas preferiu não comentar nada. Ele sabia que ela sabia. E assim era aquela amizade dos dois. Ela disse que já estava ficando tarde. Ele resolveu acompanha-la a sua casa. Eles foram conversando. Ela falava sobre alguns detalhes do dia maravilhoso que eles tiveram. Ele se encantava com ela falando e ainda mais vendo ela assim, feliz. Ela queria falar que estava apaixonada. Ele havia descoberto o que eram aquelas sensações e buscava saber como iria contar aquilo para ela. Ela se perguntava se ele sentia o mesmo. Ele se perguntava se ela sentia o mesmo. Ela achou melhor não arriscar. Ele achou melhor arriscar. Ele parou de andar e a chamou. Ela o olhou como se perguntasse o que era. Ele segurando a mão dela, olhou no fundo dos seus olhos e começou a se pronunciar: Anna, eu estou apaixonado por você e as palavras se tornam incapazes de passar tudo o que estou sentindo. Ele tocou a sua face e lentamente seus lábios foram se encostando aos dela. Um beijo calmo, um momento romântico, dois corações acelerados. Ela sorriu olhando nos seus olhos e com seus lábios tão próximos ela se declarou: Eu estou apaixonada por você e o beijou. Eles eram diferentes, mas não se importavam por serem assim. Isso nunca os impediu de ficar juntos, muito pelo contrario.. Eles seguiram abraçados, cada qual tentando explicar esse sentimento que ambos estavam sentindo. Ele falava sobre o dia em que eles se conheceram. Ela falava da hora que deixou os livros caírem. Eles riam daquilo. Ele disse que ela não precisava mais provar nada. Ela a principio não entendeu, mas depois abriu um sorriso enorme. Ele retribuiu o sorriso e disse todo brincalhão: Lembre-me sempre de agradecer muito a ele por ter colocado você no meu caminho. E a beijou. Mal sabem que aquilo só aconteceu por causa de ambas às partes, o destino só os colocou frente-a-frente e deixou por conta deles escrever sua história. Ele segurou sua mão. Ela se sentiu segura segurando a mão dele, e assim seguiram juntos.  

Presa em um caos chamado, VIDA!

tumblr_nec6hhqs271thynt0o1_500Escrever sobre minha vida é uma prova que não consigo escrever sobre a vida do meu vizinho, de um desconhecido, ou do meu gato – mentira, acho que a história do meu gato eu consigo contar. Mas gosto de conversar sobre o meu cotidiano. E neste momento sou como uma rodovia congestionada. Estou dentro de um carro no meio de tantos outros que estão ao meu redor, estou sem um rumo, e por conta disso me encontro aqui nesse congestionamento, por não ter um destino para onde possa me dirigir. É assim que me vejo ultimamente – presa a um presente que nunca quis chamá-lo de meu.

Uma vez ou outra eu consigo levar um pouco adiante meu carro, tem dias que consigo acelerar a velocidade e assim pensar: É hoje! Mais tarde não irá ter nenhum carro na estrada para me impedir de correr na minha velocidade, na velocidade que quero para os meus dias. Assim vou a 60km, 80km, 85km, e de repente me deparo voltando a 40km/h e indo para os 35km/h. O congestionamento começa a aparecer e me faz voltar para a realidade, vejo que hoje não irá ser o dia e tudo o que me resta é ter esperança que amanhã seja o dia certo.

Só que enquanto nada muda, passo meu tempo analisando tudo o que está a minha volta, a todos os carrinhos que estão ali também, a todas as pessoas que estão dentro deles e percebo que não sou a única nessa mesma situação. Olho para a velhinha que está na minivan ao meu lado e vejo pela sua expressão que ela não está feliz de está aqui no meio deste caos, a minha frente tem um homem que parece está atrasado para algum compromisso, ele não para de reclamar e buzinar – até parece que isso vai funcionar, confesso que assim que enfrentei meu primeiro congestionamento fiz o mesmo que ele e aprendi que de nada adianta isso. Lá mais na frente tem um rapaz que parece está curtindo tudo isso, na certa não tem um rumo igual eu.. E assim continuo observando-os até eu poder novamente acelerar.

Diante de tudo isso acabo me sentindo triste. Mesmo sabendo que não sou a única que está passando por isso tenho medo de ficar presa aqui para sempre. Eu procuro diversas maneiras para sair daqui, a cada dia crio um novo plano para mim, mas as coisas se complicam na hora de colocá-lo em prática. Às vezes só preciso de ajuda, mas não consigo pedir isso a ninguém – quero mostrar que sou capaz de resolver sozinha os meus problemas. Tem aqueles dias que quero abandonar meu carro no meio de tudo isso e sair andando, mas não posso fazer isso com todos aqueles que acreditam em mim – e isso também só iria congestionar ainda mais. Não quero ser vista como um problema, não posso deixar meu carrinho nas mãos dos outros. Tudo iria acabar sendo em vão. E o que me resta é dizer para mim mesma, aguenta um pouco mais, aguenta um pouco mais…

E assim são meus dias, sei que na vida sempre encontrarei congestionamentos, mas espero achar logo o meu rumo e conseguir chegar ao meu destino um dia. Só que enquanto isso não acontece pego o meu CD do Bon Jovi e o coloco para tocar It’s My Life no último volume – amo essa música – e fico cantando como se fosse uma cantora famosa em um de seus shows. Só assim me esqueço por alguns minutos de tudo e sinto o sabor da liberdade, mesmo ainda estando presa a esse caos que sou obrigada a chamar de vida.