Crônica: A mais linda mulher da cidade – Charles Bukowski

tumblr_m7wt5qPLha1rb1riso1_500Nos últimos meses várias pessoas que conheci me falaram deste escritor, Charlie Bukowski. Uns dizem que ele é um dos melhores escritores que existe, outros dizem que como curso Psicologia ainda vou ouvir muito falar dele. Até me aconselharam a ler alguns dos livros que o consagraram como escritor. Faz quase umas duas semanas que estou lendo GO (em breve faço uma resenha dele aqui). Em alguns momentos o personagem principal fala sobre o Bukowski, e recita alguns poemas ou indica algum livro dele. Ontem (21/11/14) li uma parte que ele falava sobre essa crônica, A mais linda mulher da cidade. Achei interessante e resolvi procurar para ler. Descobri que essa crônica faz parte de um livro chamado Crônica de um amor louco do velho Buk.

A única certeza que tenho agora é que preciso ler algum livro desse escritor, depois dessa crônica com certeza ele está na minha lista de escritores favoritos (e não, não é exagero). Essa crônica é um pouco grande e deixou o post enorme, mas vale a pena ler.

Das 5 irmãs, Cass era a mais moça e a mais bela. E a mais linda mulher da cidade. Mestiça de índia, de corpo flexível, estranho, sinuoso que nem cobra e fogoso como os olhos: um fogaréu vivo ambulante. Espírito impaciente para romper o molde incapaz de retê-lo. Os cabelos pretos, longos e sedosos, ondulavam e balançavam ao andar. Sempre muito animada ou então deprimida, com Cass não havia esse negócio de meio termo. Segundo alguns, era louca. Opinião de apáticos. Que jamais poderiam compreendê-la. Para os homens, parecia apenas uma máquina de fazer sexo e pouco estavam ligando para a possibilidade de que fosse maluca. E passava a vida a dançar, a namorar e beijar. Mas, salvo raras exceções, na hora agá sempre encontrava forma de sumir e deixar todo mundo na mão.

As irmãs a acusavam de desperdiçar sua beleza, de falta de tino; só que Cass não era boba e sabia muito bem o que queria: pintava, dançava, cantava, dedicava-se a trabalhos de argila e, quando alguém se feria, na carne ou no espírito, a pena que sentia era uma coisa vinda do fundo da alma. A mentalidade é que simplesmente destoava das demais: nada tinha de prática. Quando seus namorados ficavam atraídos por ela, as irmãs se enciumavam e se enfureciam, achando que não sabia aproveitá-los como mereciam. Costumava mostrar-se boazinha com os feios e revoltava-se contra os considerados bonitos — “uns frouxos”, dizia, “sem graça nenhuma. Pensam que basta ter orelhinhas perfeitas e nariz bem modelado… Tudo por fora e nada por dentro…” Quando perdia a paciência, chegava às raias da loucura; tinha um gênio que alguns qualificavam de insanidade mental.

O pai havia morrido alcoólatra e a mãe fugira de casa, abandonando as filhas. As meninas procuraram um parente, que resolveu interná-las num convento. Experiência nada interessante, sobretudo para Cass. As colegas eram muito ciumentas e teve que brigar com a maioria. Trazia marcas de lâmina de gilete por todo o braço esquerdo, de tanto se defender durante suas brigas. Guardava, inclusive, uma cicatriz indelével na face esquerda, que em vez de empanar-lhe a beleza, só servia para realçá-la.

Conheci Cass uma noite no West End Bar, Fazia vários dias que tinha saído do convento. Por ser a caçula entre as irmãs, fora a última a sair. Simplesmente entrou e sentou do meu lado. Eu era provavelmente o homem mais feio da cidade — o que bem pode ter contribuído.

— Quer um drinque? — perguntei.

— Claro, por que não?

Não creio que houvesse nada de especial na conversa que tivemos essa noite. Foi mais a impressão que causava. Tinha me escolhido e ponto final. Sem a menor coação. Gostou da bebida e tomou varias doses. Não parecia ser de maior idade, mas, não sei como, ninguém se recusava a servi-la. Talvez tivesse carteira de identidade falsa, sei lá. O certo é que toda vez que voltava do toalete para sentar do meu lado, me dava uma pontada de orgulho. Não só era a mais linda mulher da cidade como também das mais belas que vi em toda minha vida. Passei-lhe o braço pela cintura e dei-lhe um beijo.

— Me acha bonita? — perguntou.

— Lógico que acho, mas não é só isso… é mais que uma simples questão de beleza…

— As pessoas sempre me acusam de ser bonita. Acha mesmo que eu sou?

— Bonita não é bem o termo, e nem te faz justiça.

Cass meteu a mão na bolsa. Julguei que estivesse procurando um lenço. Mas tirou um longo grampo de chapéu. Antes que pudesse impedir, já tinha espetado o tal grampo, de lado, na ponta do nariz. Senti asco e horror.

Ela me olhou e riu. (mais…)

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No fim sempre há um recomeço.

Não sei o que me deu na cabeça em terminar contigo, em terminar com a pessoa que mais me fez bem nesses últimos dias. Acho que por medo tentei fugir, antes que eu fosse magoada nessa história ou apenas por pressão de não saber aonde isso ia me levar. Isso pode até parecer uma coisa boba, mas no fundo eu sei que não é. Talvez isso foi apenas a armar que encontrei para preservar algo que eu não quero que morra, algo como a nossa “plantinha”, não quero que algo ruim aconteça a ela e como sei que muitas vezes dou uma de jardineira assassina, prefiro me afastar. Não quero cortá-la assim como fiz com as outras. Apenas quero vê-la crescer, mesmo que distante para não machucá-la, para não machucar você ou propriamente me machucar.

No fim das contas acho que sou a única que está saindo com sequelas dessa curta história e se estou assim é por minha culpa. Talvez eu tenha apenas tomado uma decisão sendo mais previsível do que eu realmente sou e seguindo o que todos já achavam que ia acontecer. O que é meio clichê vindo da pessoa que vive dizendo que não gosta de coisas “clichês”, mas que sua vida se resume em uma verdadeira história em que todos já sabem o destino da protagonista principal.

Sinceramente, não vim falar sobre isso. Só que não consigo pôr um fim nesse texto, mesmo sabendo que preciso terminar, ou melhor necessito terminar esse texto, aliás não quero que ele se torne mais um dos meus fracassos inacabáveis. Talvez eu só esteja com medo, mas não vou deixá-lo comandar meus atos. Voltando ao foco, não devia ter terminado contigo, porque no fundo isso era o que eu menos queria (claro, você pode pensar diferente).

Você como meu melhor amigo é extraordinário, mas não quero nesse momento só meu amigo, quero de volta meu namorado de mentirinha e meu ficante que ainda não sabe se é gay. Isso é muito dramático até mesmo para mim que gosto tanto de drama. Talvez esse tenha sido o pior texto que já escrevi pelo simples fato da minha total sinceridade, só que gosto disso, gosto de me surpreender comigo mesma e gosto mais ainda de escrever sobre este sentimento que sinto por você. Fique tranquilo, não é amor, nem chega a ser paixão, mas claro que está acima de um gostar, isto é apenas um “eu preciso de você”, porque no fundo é disto que todo mundo precisa e é isto que estou precisando agora: De um amor que não é amor!